{"id":1026,"date":"2007-11-15T11:34:23","date_gmt":"2007-11-15T10:34:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.asei.eu\/it\/?p=1026"},"modified":"2017-03-27T11:35:16","modified_gmt":"2017-03-27T09:35:16","slug":"italianos-no-cinema-brasilero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/2007\/11\/italianos-no-cinema-brasilero\/","title":{"rendered":"Italianos no cinema brasilero"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">Pode-se dizer que a interpenetra\u00e7\u00e3o de nacionalidades \u00e9 uma caracter\u00edstica marcante do cinema. Atores, produtores e diretores, construtores de est\u00fadios e criadores de circuitos de salas exibidoras, cen\u00f3grafos, iluminadores, operadores, t\u00e9cnicos, enfim, de todas as especialidades, naturais de diversos pa\u00edses foram os art\u00edfices n\u00e3o s\u00f3 do prest\u00edgio do cinema norte-americano e ingl\u00eas. Que seria de Hollywood sem os alem\u00e3es como Ernest Lubitsch e Curtis Bernardt, austr\u00edacos como Joseph Von Sternberg e Erich Von Stroheim, franceses como Jean Renoir e Julien Duvivier; h\u00fangaros como William Fox e Adolph Zukor; ingleses como Charles Chaplin e Alfred Hitchcock; italianos como Frank Capra, e poloneses como Samuel Goldwin?<br \/>\nE vamos observar o mesmo em outros cinemas. \u00c9 o caso do h\u00fangaro Alexander Korda, na Inglaterra e do brasileiro Alberto Cavalcanti que na Fran\u00e7a foi uma personalidade decisiva na <em>avant garde<\/em> e no movimento document\u00e1rio da GPO Film Unit, na Inglaterra.<br \/>\nO cinema brasileiro n\u00e3o ficou isento de uma grande influ\u00eancia de alem\u00e3es, argentinos, arm\u00eanios, espanh\u00f3is, estonianos, franceses, ingleses, h\u00fangaros, norte-americanos, poloneses, portugueses, russos,\u00a0 tchecos. Irmanados com os brasileiros nativos eles ajudaram a escrever a Hist\u00f3ria\u00a0 do Cinema Brasileiro.<br \/>\nVencendo toda essa pl\u00eaiade bab\u00e9lica em n\u00famero est\u00e3o, contudo, os italianos. Se a primeira exibi\u00e7\u00e3o cinema no Brasil, ocorrida na Rua do Ouvidor em 1896 foi promovida por um franc\u00eas chamado\u00a0 Henri Paillie, as primeiras filmagens foram feitas por Vito Di Maio. Nascido em N\u00e1poles em 14 de abril de 1852, que chegando ao Brasil em 1891 instalou uma sala exibidora com espet\u00e1culo de lanterna m\u00e1gica na rua do Ouvidor n.\u00ba 149, que em 1894 vendou a Paschoal Segreto, indo em seguida para a Europa, onde comprou aparelho, provavelmente Animat\u00f3grafo de Paul e em 6 de maio de 1897 exibiu no Cassino Fluminense, em Petr\u00f3polis, cidade elegante de veraneio carioca, quatro filmes: <em>Ponto Terminal da Linha de Bondes de Botafogo, vendo-se os Passageiros Subir e Descer; Uma Artista Trabalhando no Trap\u00e9zio do Politeama; Chegada do Trem a Petr\u00f3polis <\/em>e<em> Bailado de<\/em> <em>Crian\u00e7as no Col\u00e9gio, no Andara\u00ed<\/em> Cf. <em>Verdades Sobre o In\u00edcio do Cinema no Brasil.<\/em> Jorge J.V. Capellaro e Paulo Roberto Ferreira. Rio de Janeiro: Funarte, 1996.<br \/>\nDi Maio foi um ambulante infatig\u00e1vel. Entre 1899\/1901 promoveu exibi\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo. Em 1905 estava de novo no Rio de Janeiro, promovendo exibi\u00e7\u00f5es no chope berrante do Passeio P\u00fablico, para uma plat\u00e9ia onde se encontrava Artur Azevedo. Em 1906 estava no Teatro Maceioense, em Alagoas! No dia 13 de janeiro de 1907 no \u00c9den Parque, em Vit\u00f3ria, Esp\u00edrito Santo. Ainda nesse mesmo ano chegou a Fortaleza, fixando-se a\u00ed ent\u00e3o, definitivamente, onde veio morrer em 21 de abril de 1926.<\/p>\n<p align=\"center\">OS SEGRETO<\/p>\n<p align=\"justify\">Os irm\u00e3os Segreto Gaetano (1866-1908) e Paschoal (1868-1920) oriundos de San Martino Cilento chegaram ao Brasil em 1883. No Rio de Janeiro trabalharam juntos vendendo bilhetes de loteria e como jornaleiros conseguem organizar um pioneiro sistema de bancas de jornais, que prospera. Nesse tempo a maioria dos jornais editados na cidade tinham suas reda\u00e7\u00f5es e oficinas na Rua do Ouvidor. Gaetano consegue a distribui\u00e7\u00e3o exclusiva do vespertino <em>A Not\u00edcia<\/em>, fundado em 1894 por Manuel Jorge de Oliveira Rocha, o mais simp\u00e1tico, o mais lido e o de maior tiragem. Em 1893 surge na cidade o jogo dos bichos que se alastra como uma epidemia e \u00e9 logo criminalizado como contraven\u00e7\u00e3o penal. Os irm\u00e3os Segreto travam ent\u00e3o contato com Jos\u00e9 Roberto da Cunha Sales (1840-1903), conhecid\u00edssimo na Capital da Rep\u00fablica por suas artimanhas com f\u00f3rmulas farmac\u00eauticas, a mais c\u00e9lebre das quais a <em>Virgolina<\/em>, \u201cpara fazer voltar a estado de donzela aquelas que j\u00e1 n\u00e3o o eram\u201d. Cunha Sales explorava o jogo dos bichos disfar\u00e7adamente no Pantheon Ceropl\u00e1stico, primo pobre do Museu Gr\u00e9vin de Paris, situado na Rua do Ouvidor, que por sua pouca largura era alcunhada de \u201cbeco das novidades\u201d, em cima do Caf\u00e9 Java, ponto de venda de bilhetes de jogos. 27 de novembro 1897. Cunha Sales Pedido de patente nota\u00e7\u00e3o n.\u00ba. 8663. Paschoal se associa a Cunha Sales e formam o Sal\u00e3o Novidades Paris no Rio. Paschoal percebendo o futuro brilhante do rendos\u00edssimo neg\u00f3cio das divers\u00f5es adquire a Vito Di maio, que tamb\u00e9m se achava instalado na Rua do Ouvidor n.\u00ba 49, desde 1891, com uma lanterna magica. Diante do sucesso das exibi\u00e7\u00f5es promovidas por Henri Paillie, em junho de 1897, das imagens animadas, lan\u00e7adas com o nome Omniographo, Paschoal n\u00e3o tem mais d\u00favidas. Paschoal Segreto obteve a patente, que recebeu o n.\u00ba 2598, publicada no D.O.U. de 9 de agosto de 1898 p. 4623 col. 3. Paschoal ampliou suas salas na Capital Federal, em Santos, S\u00e3o Paulo e Campos, no norte fluminense. Foi cognominado pela imprensa Ministro das Divers\u00f5es. Produziu dezenas de filmes, reportagens de assuntos locais.<br \/>\nNo ano de 1896 Gaetano se casa com Elia Saccardi com que teve dez filhos. Nesse mesmo ano os dois irm\u00e3os requerem ao Chefe de Pol\u00edcia do Distrito Federal que fossem canceladas as notas de entrada de ambos na Casa de Deten\u00e7\u00e3o por \u201calgumas pequenas faltas na sua meninice\u201d alegando que \u201catualmente s\u00e3o homens benquistos na sociedade estimados e considerados\u201d O diretor da Casa de Deten\u00e7\u00e3o informou que \u201co italiano Paschoal Segreto tem nesta casa, 13 entradas, sendo a \u00faltima delas em 5 de fevereiro de 1888. Gaetano tem 9 entradas, sendo a \u00faltima delas em 10 de fevereiro daquele ano\u201d. Ainda em 1896 Paschoal manda vir da It\u00e1lia seu irm\u00e3o mais novo Alfonso e no ano seguinte envia-o a Paris para aprender operar filmes no \u00c9tablissements Path\u00e9 Fr\u00e8res. Em 1898 Alfonso est\u00e1 de volta com equipamento completo e inicia uma s\u00e9rie de dezenas\u00a0 filmagens que vai durar at\u00e9 1901.<br \/>\nGaetano Segreto vai se envolvendo de forma cada vez mais profunda com a col\u00f4nia italiana do Distrito Federal, onde Cria o <em>Circolo Operaio Italiano<\/em> (1890) e funda o jornal <em>Il<\/em> <em>Bersagliere<\/em>, do qual se torna diretor. Requereu em 24 de dezembro de 1897 patente de um \u201caparelho indicador urbano\u201d. Era irm\u00e3o ma\u00e7om, deputado da loja ma\u00e7\u00f4nica Fratelanza Italiana, no Rio de Janeiro e da Loja Cavour, em S\u00e3o Paulo. Morreu na It\u00e1lia em 1908.<br \/>\nAlfonso Segreto \u00e9 de todos os irm\u00e3os o que menos se conhece, ignorando-se inclusive a data de sua morte bem como o local. Possivelmente na It\u00e1lia j\u00e1 que segundo informa\u00e7\u00f5es prestadas por familiares, depois da morte de Pascoal, em 1920, desentendendo-se com seus sobrinhos, Alfonso se retirou para sua terra natal. No Arquivo Nacional existem dois pedidos seus de patente de inven\u00e7\u00e3o: n.\u00ba 3.157, datado de 14 de janeiro de 1902 para \u201cMesa moderna destinada a estabelecimentos comerciais e que servem para an\u00fancios\u201d e n.\u00ba 5.333, datado de 26 de novembro de 1908 para \u201cAparelho de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o denominado Protetor Segreto\u201d.<br \/>\nTemos ainda o registro de outro irm\u00e3o, Jo\u00e3o, nascido em 8 dezembro de 1882 e que morreu no Rio de Janeiro em 22 de junho de 1931.<br \/>\nOs italianos espalharam-se pelo imenso territ\u00f3rio brasileiro. No Rio Grande do Sul Francisco Di Paola realizou as primeiras exibi\u00e7\u00f5es em 4 de novembro de 1896. No norte do Jos\u00e9 Felippi chegou a S\u00e3o Lu\u00eds, Maranh\u00e3o no come\u00e7o de junho de 1902, vindo de uma temporada\u00a0 no Teatro Politeama de Bel\u00e9m do Par\u00e1. com um aparelho ingl\u00eas Bioscope.<br \/>\nEm 1904 os irm\u00e3os Domenico e Giuseppe Fellipi realizam em Pelotas <em>Vistas da Uni\u00e3o Ga\u00facha, Centro de<\/em> <em>Tradi\u00e7\u00f5es<\/em>, e em Porto alegre <em>Vistas do Passeio: O Gr\u00eamio Tamandar\u00e9 pela Bacia do<\/em> <em>Gua\u00edba<\/em> e <em>A<\/em> <em>Retirada do Povo que Assistiu \u00e0 Festa das Dores<\/em>, exibindo ainda no Teatro S. Pedro <em>A Defesa da Bandeira Nacional<\/em>.<\/p>\n<p align=\"center\">STAFFA<\/p>\n<p align=\"justify\">As principais informa\u00e7\u00f5es sobre Staffa est\u00e3o numa mat\u00e9ria publicada na revista <em>Cinearte<\/em> n.\u00ba 90, 16 novembro 1927, \u00e0 guisa de necrol\u00f3gio, intitulada <em>Quem Foi Staffa<\/em>.<br \/>\nGiacomo Rosaio Staffa nasceu em Cosenza 3 novembro 1869 numa fam\u00edlia de origem albanesa. Aos 12 anos, a 13 de julho de 1883 embarcou com destino ao Rio de Janeiro. Foi vendedor dos jornais <em>O Cors\u00e1rio<\/em>, um pasquim propriedade de Apulchro de Castro, um negro que optou pelo caminho da canalhice, da escroqueria, da agress\u00e3o pessoal, da ofensa, como forma de ganhar dinheiro\u201d segundo artigo de Joel Rufino dos Santos (<em>Anais da<\/em> <em>Biblioteca Nacional<\/em>, vol. 116, 1996 p. 98\/103). Por isso Staffa foi preso junto com 25 a 30 garotos que vendiam o jornal, verdadeira mania no Rio de 81\/83. e <em>O Jacobino<\/em> de Deocleciano Martyr, jornal florianista. Vendeu balas nas barcas de Niter\u00f3i e bilhetes de loteria. \u201cAt\u00e9 capoeira me fiz. Eu era da roda dos nag\u00f4as\u201d. Foi preso vendendo <em>O Cors\u00e1rio<\/em>. Teve febre amarela aos 15 anos. Aos 22 anos (1891) foi condutor de bonde, na Companhia de Vila Isabel. Trabalhou para a pol\u00edcia por ocasi\u00e3o da Revolta da Armada (1893). Ganhou dinheiro vendendo jogo dos bichos. Casou-se com a professora Joana Fiscina, m\u00e3e de seus sete filhos. Estabeleceu-se na Rua do Ouvidor, com neg\u00f3cio de cart\u00f5es postais, a partir de 1902. Foi em 1905, em N\u00e1poles que Staffa, j\u00e1 possuindo um pequeno capital assistia um seu conhecido ganhar bastante dinheiro para viver com conforto com uma sala exibidora de filmes. Decidiu fazer o mesmo no Brasil. Assim\u00a0 10 de agosto de 1907 inaugurou o Cinemat\u00f3grafo Parisiense, investindo 100 contos de r\u00e9is. Foi a primeira casa permanente exibidora de cinema do Brasil. Come\u00e7ou exibindo <em>Vida, Paix\u00e3o e<\/em> <em>Morte de N. S. Jesus Cristo<\/em>. No dia da estr\u00e9ia chegou a enjoar de ver tanto dinheiro. Nas instala\u00e7\u00f5es de uma antiga loja de flores artificiais haviam dois armaz\u00e9ns que Staffa transformou em sala exibidora, t\u00e3o grande era o p\u00fablico. O dinheiro ficava em caixas de sapato. As colunas das salas eram ocas e tinham que ser consertadas todos os dias. Da Rua do Ouvidor passou para a Avenida, em 1913 com os filmes da Nordisk e ganhou numa temporada mais de mil contos.<br \/>\nOs filmes da Nordisk tinham seu resumo minucioso publicado em meia p\u00e1gina dos jornais como pequenas novelas, primeiramente traduzidas pela sua esposa e posteriormente por Manoel Lavrador. Staffa foi tamb\u00e9m produtor de alguns filmes de reportagens sobre assuntos locais que exibia em sua sala, sem contudo atingir a magnitude dos Segreto e de outros produtores das outras casas exibidoras. Nessa \u00e9poca da pedra lascada do cinema as empresas usavam esses filmes locais como estrat\u00e9gia para atrair p\u00fablico.<br \/>\nDepois veio a guerra a companhia dinamarquesa, que era distribu\u00edda pelos alem\u00e3es, foi boicotada. Staffa passa para a produ\u00e7\u00e3o teatral e hoteleira.<\/p>\n<p align=\"center\">FILMES ITALIANOS DE TEMAS E PERSONAGENS DO BRASIL<\/p>\n<p align=\"justify\">Num artigo como esse seria interessante levantar tamb\u00e9m as produ\u00e7\u00f5es italianas que focalizam temas e personagens brasileiros. O primeiro que encontrei foi exibido no Pavilh\u00e3o Internacional, de Paschoal Segreto, em 10 de janeiro de 1908, intitulado <em>Garibaldi,<\/em> <em>o guerrilheiro do Sul e o her\u00f3i da unifica\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia.<\/em> E dizia o an\u00fancio: \u201cFita bel\u00edssima e de grande interesse apresentando diversos epis\u00f3dios da vida desse her\u00f3i desde o encontro com Anita Garibaldi. Os combates no Sul, a morte de Anita ferida em combate \u2013 at\u00e9 ao encontro na It\u00e1lia com Vittorio Emanuel depois do combate\u201d. Esse filme n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00eddo na filmografia inclu\u00edda em www.garibaldi200.it<br \/>\nNo dia 21 de setembro de 1910 o Cinema Soberano exibiu filme intitulado <em>Anita<\/em> <em>Garibaldi.<\/em> \u201cGrandiosa a\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em que Giuseppe Garibaldi distinguindo-se em gloriosos feitos d\u2019armas em Santa Catarina, depara-se com a esbelta e simp\u00e1tica Anita Ribeiro. Apaixonando-se por ela, f\u00e1-la sua esposa, sua companheira insepar\u00e1vel no campo de batalha. A hero\u00edna brasileira t\u00e3o admirada no velho como no novo mundo. Epis\u00f3dio hist\u00f3rico e guerreira em que tanto se distinguiu a intr\u00e9pida patriota\u201d. Segundo a acima referida filmografia esse filme \u00e9 de Mario Caserini e Maria Caserini interpreta a hero\u00edna dos dois mundos.<\/p>\n<p align=\"center\"><em>O GA\u00daCHO<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>O Ga\u00facho<\/em> 1914, An\u00fancio, Cinema Teatro Phenix. Grande drama em 2 partes editado pela afamada f\u00e1brica Savoia, de Torino, que \u201crevelam toda a psicologia quente e impetuosa dos habitantes do Rio Grande do Sul\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\">O TRUQUE DO BRASILEIRO<\/p>\n<p align=\"justify\">O c\u00f4mico Andr\u00e9 Deed (1884-1938) ent\u00e3o uma celebridade internacional, que se apresentou no Rio em 1913, realizou o filme <em>Le Stivale del Brasiliano<\/em>, 1916, exibido no Rio de Janeiro com o t\u00edtulo de <em>O Truque do Brasileiro<\/em>. Cinegrafado pelo c\u00e9lebre Segundo de Chomon o filme contra as perip\u00e9cias de um indiv\u00edduo que \u201cconhecendo pelas leitura dos jornais que um brasileiro elegante e insinuante faz muitas conquistas, imita um \u201crasta\u201d cheio de j\u00f3ias e veste-se com rid\u00edculo espalhafato, para facilitar suas conquistas\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\">FITA APREENDIDA<\/p>\n<p align=\"justify\">No dia 27 de junho de 1926 o jornal <em>O Estado de S. Paulo<\/em>\u00a0 publica uma mat\u00e9ria intitulada <em>Explora\u00e7\u00e3o ign\u00f3bil<\/em>. Um filme deprimente para o Brasil preparado pela companhia Dram\u00e1tica da Atriz Italia Almirante. A longa reportagem relata a apreens\u00e3o de um rolo de filme com cerca de 150 metros cenas de batuque que foram feitas no Jardim da Aclima\u00e7\u00e3o, supostamente passadas numa senzala de uma fazenda de um nababo portugu\u00eas. \u201cEm certo ponto, um artista n\u00e3o se contem e, por pilh\u00e9ria, arrebata uma pretinha e sai com ela, dan\u00e7ando. Os dan\u00e7adores se alvoro\u00e7am e o chefe do batuque separa o par, com ar feroz. Mas isso n\u00e3o o satisfaz e para vingar-se vai ao grupo de artistas, tira uma atriz e sai com ela, a dan\u00e7ar. Embalde os colegas tentam arranc\u00e1-la daqueles bra\u00e7os, da sanha daquela multid\u00e3o andrajosa, suada, de catadura hedionda. Estabelece-se a luta. E, aos gritos de toda a gente, aparece o fazendeiro, de botas, chap\u00e9u largo de <em>cowboy<\/em>, um tipo anacr\u00f4nico, que arrebata a mo\u00e7a das m\u00e3os do preto, atira por terra o agressor e corta-o de rebenque, surdo \u00e0s impreca\u00e7\u00f5es feitas de joelho. Enquanto o companheiro apanha os pretos fazem esgares de pavor\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\">FILMES CANTANTES<\/p>\n<p align=\"justify\">Como na Fran\u00e7a tamb\u00e9m no Brasil houve a partir de 1908 uma grande produ\u00e7\u00e3o de filmes cantantes. Os int\u00e9rpretes eram filmados cantando \u00e1rias de \u00f3peras (<em>Vissi d\u2019arte<\/em> virou epidemia), operetas, zarzuelas e can\u00e7\u00f5es populares, principalmente italianas como <em>Ciribiribin,<\/em> <em>Torna a Surriento<\/em>, em dialeto napolitano, para atrair a plat\u00e9ia de imigrantes que n\u00e3o era pequena.<br \/>\nCoube a outro italiano, Francisco Marzullo interpretar um dos primeiros filmes posados feitos no Brasil, <em>Os Estranguladores do Rio<\/em>, 1908, inspirado num epis\u00f3dio da cr\u00f4nica policial.<br \/>\nNo Rio Grande do Sul Nicola Petrelli filmou em 1908 a <em>Primeira Partida de Futebol entre o S. C. Pelotas e o S. C. Rio Grande.<\/em> No mesmo ano Jacinto Ferrari filmou <em>O Carnaval de<\/em> <em>1908<\/em>, Porto Alegre, projetado no Teatro S. Pedro.<br \/>\nNo ano de 1911 Guido Panello, em Pelotas, filmou\u00a0 <em>Festa na Uni\u00e3o Ga\u00facha<\/em>, produzido por Jo\u00e3o Sim\u00f5es Lopes e tamb\u00e9m <em>Chegada e Movimento do Primeiro Visconde de Pelotas.<\/em> E ainda, em Porto Alegre, <em>A Trag\u00e9dia da Rua dos Andradas<\/em>. Ainda em Pelotas os irm\u00e3os Grecco realizam <em>Clube dos Atiradores<\/em>, lan\u00e7ado em fevereiro de 1913.<br \/>\nMuitos do imigrantes italianos se instalaram como fot\u00f3grafos, retratistas. Um desses L. Musso, propriet\u00e1rio de um ateli\u00ea na Rua da Carioca, no Rio de janeiro, famoso por ser o estabelecimento preferido da elite carioca. Dele conserva-se um filme de 1913 com o registro da <em>Viagem ao Brasil de uma miss\u00e3o diplom\u00e1tico-militar da Alemanha<\/em>, aparecendo, entre outros, o Marechal Hermes da Fonseca, 13.\u00ba Presidente da Rep\u00fablica, com cenas feitas no Corcovado e P\u00e3o de A\u00e7\u00facar.<br \/>\nPaulo Benedetti na It\u00e1lia em 1864 e chegou ao Brasil em 1897, onde obteve registro de patentes de aparelhos produtores e combustores de g\u00e1s acetileno, ent\u00e3o usado na ilumina\u00e7\u00e3o, estabelecendo-se\u00a0 junto com dois s\u00f3cios abre um com\u00e9rcio instalado na Pra\u00e7a Tiradentes, 73, com a denomina\u00e7\u00e3o de <em>A Luz Moderna<\/em>, espalhando an\u00fancios pelos jornais do interior de Minas e da Capital da Rep\u00fablica. O neg\u00f3cio prosperou mas Benedetti muito inquieto, dedicava-se a novos inventos. S\u00f3 sossegou quando uma de suas experi\u00eancias provocou uma explos\u00e3o que quase o matou.<br \/>\nFoi ent\u00e3o para S\u00e3o Paulo e instalou na Rua L\u00edbero Badar\u00f3, o Cinemat\u00f3grafo Japon\u00eas e com ele excursionou pelo interior. Em 1908 vamos encontr\u00e1-lo em Barbacena, no interior de Minas. A\u00ed ele se instala no pr\u00e9dio do Teatro da cidade e muda o nome de sua firma para Cinema Mineiro exibindo produ\u00e7\u00f5es italianas e francesas.<br \/>\nNo dia 7 de setembro de 1911 projeta no Cinema Mineiro a reportagem completa da <em>Inaugura\u00e7\u00e3o da Herma de Correia de Almeida<\/em>. Em agosto de 1912 projeta <em>Raid de Infantaria da Linha de Tiro<\/em> e <em>Prociss\u00e3o de N. Sra. da Boa<\/em> <em>Morte<\/em>. Todas reportagens.<\/p>\n<p align=\"center\">CINEMETROFONIA<\/p>\n<p align=\"justify\">Benedetti forjou a palavra Cinemetrofonia para batizar seu invento que recebeu a patente n\u00ba. 6961 de 11 de abril de 1912.<br \/>\nEm uma entrevista \u00e0 revista <em>Cinearte<\/em>, 1929, ele diz que \u201ca id\u00e9ia do coment\u00e1rio musical sincronizado me nasceu no c\u00e9rebro or causa da falta de harmonia que n\u00e3o poucas vezes observei entre a m\u00fasica que a orquestra toca e o filme que corre na tela!&#8230; \u00e0s vezes desenrola-se um drama e a orquestra enche os ouvidos da gente das notas de uma m\u00fasica alegre!\u201d<br \/>\nRealiza ent\u00e3o um \u201cfilme especialmente organizado\u201d com a \u00e1ria <em>Alla\u2019idea di quel metallo<\/em> <em>portentoso<\/em>, da \u00f3pera <em>O Barbeiro de Sevilha<\/em>, que projeta no dia 19 de maio de 1912.<br \/>\nEm 1913 obt\u00e9m nova patente do invento e projeta outro filme exemplificativo, no dia 19 de outubro de 1913.<\/p>\n<p align=\"center\">OPERA FILME<\/p>\n<p align=\"justify\">Com as duas patentes da Cinemetrofonia Benedetti mobiliza a comunidade italiana de Barbacena \u2013 prova disso s\u00e3o as assinaturas do Estatuto da companhia \u2013e funda a Opera Filme para explorar seu invento. Com tudo organizado e subscrito o capital em a\u00e7\u00f5es, realiza o filme <em>Uma Transformista Original<\/em>, que o volume consagrado ao Cinema da <em>Encyclop\u00e9die Bordas<\/em>, publicada em Paris, na d\u00e9cada de 80, alinha entre as mais importantes filmes do mundo produzidos naquele ano de 1915.<\/p>\n<p align=\"center\">UMA TRANSFORMISTA ORIGINAL<\/p>\n<p align=\"justify\">O filme foi estrelado por Bras\u00edlia Lazzaro, diplomada pela Escola Dram\u00e1tica, e mais um casal de artistas ambulantes de nome Ferreira. Tinha o filme cinco partes, tr\u00eas das quais sincronizadas com o fon\u00f3grafo e a orquestra e as demais s\u00f3 com esta \u00faltima. Bras\u00edlia tinha uma voz agrad\u00e1vel para os pap\u00e9is de opereta, e no filme interpretava trechos de \u00f3peras e can\u00e7\u00f5es italianas, como a romanza <em>M\u2019appari tutt\u2019amor<\/em>, da <em>Martha<\/em>, de Flotow. Os discos foram gravados no Rio, na casa Edison, de Frederico Figner.<br \/>\nN\u00e3o era um filme de curta-metragem. Se considerarmos que cada parte tem cerca de 300 metros, o filme com 5 partes devia durar cerca de 40 minutos, sendo, portanto, um m\u00e9dia-metragem. Em 1928 Pedro Lima assistiu ao filme e escreveu em <em>Cinearte<\/em>: \u201cFilme musicado e sincronizado, com intercala\u00e7\u00e3o de vis\u00f5es, truques e todo cantado. Para o tempo em que foi feito, denota um progresso extraordin\u00e1rio, o que justifica o entusiasmo causado no p\u00fablico quando de sua proje\u00e7\u00e3o em Barbacena\u201d.<br \/>\nEm 1941 em artigo em <em>O Jornal<\/em> Pedro Lima escreve ainda: \u201c<em>Uma Transformista Original<\/em>, tendo como operadora a Rosina Cianello, talvez a primeira mulher no mundo empregada em semelhante trabalho. Este filme que ainda hoje \u00e9 conservado em fragmentos, bem poderia ser recolhido a um Museu do Cinema, se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos entre tantos museus que possu\u00edmos, um, destinado a guardar o que j\u00e1 temos realizado na Arte das imagens\u201d.<br \/>\nVittorio Capellaro estreou dirigindo um filme publicit\u00e1rio, em 1915, intitulado <em>O \u00daltimo<\/em> <em>Efeito Ben\u00e9fico do Radium<\/em>. Estava em turn\u00ea pelo Brasil com a Companhia Teatral Alberto Capozzi sendo elementos da trupe aproveitados no filme. A palavra <em>radium<\/em> no caso era mais nada menos que um apelo, com uma conota\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mas n\u00e3o passando da apresenta\u00e7\u00e3o de uma marca de sap\u00f3lio.<br \/>\nNesse mesmo ano dirige<em> Inoc\u00eancia<\/em> dando in\u00edcio a sua longa filmografia com aproveitamento de cl\u00e1ssicos da literatura brasileira.<br \/>\nIntegrando-se cada vez mais ao Brasil Capellaro realiza ainda em 1916 <em>O Guarany<\/em>. Tamanho foi o fasc\u00ednio do cineasta pela hist\u00f3ria imaginada por Jos\u00e9 de Alencar que ele ir\u00e1 refilm\u00e1-la dez anos depois. Mostra uma faceta pouco conhecida de sua carreira, como documentarista, dirigindo <em>Instituto Butantan<\/em> onde focaliza o grande serpent\u00e1rio e a utiliza\u00e7\u00e3o do veneno para a prepara\u00e7\u00e3o do soro antiof\u00eddico descoberto pelo Dr. Vital Brazil.<br \/>\nTamb\u00e9m em 1916 o ator Franco Magliani, de quem nunca mais se ouviu falar, dirigiu <em>Luc\u00edola,<\/em> extra\u00eddo da obra de Jos\u00e9 de Alencar. Pedro Lima comenta entusiasticamente a cria\u00e7\u00e3o de L\u00facia Maria da Gl\u00f3ria, a cortes\u00e3 que \u201cno abismo da perdi\u00e7\u00e3o conserva a pureza da alma\u201d interpretada por Aurora Fulgida.<br \/>\nAurora Fulgida \u00e9 uma filha de Bucareste, esplendidamente dotada de uma educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, no conv\u00edvio de grandes mestres da gloriosa It\u00e1lia. O seu esp\u00edrito formou-se, poderosamente influenciado pela atmosfera dessa pen\u00ednsula, onde os g\u00eanios contam-se \u00e0s centenas, desde que ali, no <em>Latium,\u00a0 <\/em>R\u00f4mulo e Remo lan\u00e7aram as primeiras pedras daquele muro irris\u00f3rio e que mais tarde, sob os C\u00e9sares, se tornou um poder dos mais formid\u00e1veis de que at\u00e9 hoje temos not\u00edcia.<br \/>\n<em>Al principio ho preso il lavoro como scherzo<\/em> \u2013 declara-nos Aurora Fulgida. E assim foi. S\u00f3 depois de ter apreendido o valor do trabalho, a sua beleza art\u00edstica e principalmente a responsabilidade que sobre os ombros lhe cairia \u00e9 que se interessou vivamente pelo feitio de <em>Luciola<\/em>, dando-nos fielmente a heroina de Jos\u00e9 de Alencar.<br \/>\nEm 1916, em S\u00e3o Paulo a Paulista filma produz e Guelfo Andal\u00f3 dirige, Jo\u00e3o Stamato cinegrafa <em>Dioguinho<\/em>, sobre as fa\u00e7anhas de um fac\u00ednora que no final do s\u00e9culo XIX aterrorizara o este paulista. Interpretado por Georgina Marchiani que faz o papel de Mariquinhas, a mulher do bandido e Ant\u00f4nio Latari que vive Dioguinho e mais Elvira Latari.<br \/>\nVittorio Capellaro em 1917 realiza com cinegrafia de seu compatriota Benedetti. <em>O Cruzeiro do Sul<\/em>, o filme mais obscuro de sua filmografia. Retorna ent\u00e3o \u00e0 It\u00e1lia numa viagem arriscad\u00edssima devido aos submarinos alem\u00e3es, e apresenta-se para o servi\u00e7o militar.<br \/>\nNos tempos da Primeira Guerra Mundial, vivendo-se o auge da campanha pelo servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, Guelfo Andal\u00f3, um dos muitos italianos que viviam \u00e0s voltas como cinema em S\u00e3o Paulo, dirige <em>P\u00e1tria Brasileira<\/em>, contribui\u00e7\u00e3o ao que parece n\u00e3o era estranha \u00e0 Liga da Defesa Nacional. O seu secret\u00e1rio geral, o poeta Olavo Bilac teria mesmo influ\u00eddo na dire\u00e7\u00e3o da seq\u00fc\u00eancia do juramento \u00e0 bandeira.<br \/>\nS\u00e3o tempos ainda de intensa propaganda c\u00edvica, de intenso nacionalismo e assim \u00e9 que surge <em>Her\u00f3is Brasileiros na Guerra do Paraguay<\/em> ou <em>A Morte Gloriosa do Tenente Ant\u00f4nio<\/em> <em>Jo\u00e3o<\/em>, ou, ainda, <em>A Retirada da Laguna<\/em>. Dire\u00e7\u00e3o de Achilles Lambertini, membro da Fam\u00edlia Lambertini (assim mesmo, pois era tamb\u00e9m uma raz\u00e3o social) que se constitu\u00edra n\u00e3o s\u00f3 em conjunto teatral, mas num curioso grupo de produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica.<br \/>\nA primeira cinebiografia do Patrono C\u00edvico do Brasil, <em>Tiradentes ou o M\u00e1rtir da Liberdade<\/em>, dirigido por Perassi Felice, era anunciada como \u201ccolorido por meio de viragens qu\u00edmicas\u201d. A Fam\u00edlia Lambertini que trouxera da It\u00e1lia uma tradi\u00e7\u00e3o teatral realiza <em>O Grito<\/em> <em>do Ipiranga<\/em>, dirigida por Giorgio e contando no elenco com Achilles, Emma, Lu\u00edza, Vittoria e o pr\u00f3prio Giorgio, que por vezes sa\u00eda detr\u00e1s da c\u00e2mara.<br \/>\nMais pomposa foi a denomina\u00e7\u00e3o do filme de Arturo e Giuseppe Carrari, piemonteses: <em>Grandiosa Manifesta\u00e7\u00e3o em Regozijo \u00e0 Vit\u00f3ria dos Aliados. <\/em><br \/>\nTerminada a guerra Capellaro retornou ao Brasil entrando em contato com exibidores seus patr\u00edcios, como Alberto Sestini e Gustavo Pinfildi, ambos com casas exibidoras no Rio. Como distribuidor ambulante foi que Capellaro viajou para o Nordeste onde encontrou um rapaz que pensava entrar para o neg\u00f3cio da exibi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, cujo nome era Luiz Severiano Ribeiro, mais tarde um dos maiores exibidores do Brasil.<br \/>\nEm seguida Capellaro retomou sua atividade de produ\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o. Em 1918 realiza <em>Iracema<\/em>, onde a personagem titulo \u00e9 encarnada por sua esposa Giorgina, e cujo negativo foi destru\u00eddo num acidente do laborat\u00f3rio de Alberto Botelho. No ano seguinte realiza de novo <em>Iracema,<\/em> com outra equipe.<br \/>\nEm Petr\u00f3polis no Estado do Rio de Janeiro Henrique Pongetti realiza <em>A Estrangeira,<\/em> 1919<em>,<\/em> que ele rememora assim em <em>\u00a0O Carregador de Lembran\u00e7as<\/em> (Mem\u00f3rias). Rio: Editora Pongetti, 1971, p. 129 ss. \u201cAo cinema eu ia com esp\u00edrito de estudioso da sua arte e da sua t\u00e9cnica. N\u00e3o era o simples espectador em busca da recrea\u00e7\u00e3o desanuviadora e digestiva. Tanto amolei eu pai com a id\u00e9ia de produzir filmes em Petr\u00f3polis que um dia ele me levou a s\u00e9rio e escreveu carta ao comendador Guazzoni, diretor da Cines, insinuando acordo de co-produ\u00e7\u00e3o. Sim, sou o pioneiro frustrado da co-produ\u00e7\u00e3o. Recebemos uma resposta negativa mas muito cort\u00eas. A Cines vivia fazendo espet\u00e1culos monumentais como <em>Quo Vadis?<\/em><br \/>\nEm 1920 Vittorio Capellaro conhecido pela sua preocupa\u00e7\u00e3o em levar \u00e0s telas os romances cl\u00e1ssicos da literatura brasileira realiza <em>Os Garimpeiros<\/em>. Havia descoberto em suas leituras, em sua segura integra\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura brasileira, a beleza do livro de Bernardo Guimar\u00e3es e suas imensas possibilidades em imagens. Nesse filme, gra\u00e7as ao engenho de Paulo Benedetti, de quem foi empregada a Cinemetrofonia na famosa modinha <em>Hei de Amar-te At\u00e9<\/em> <em>Morrer<\/em>. Capellaro concebeu uma cena avan\u00e7ad\u00edssima para seu tempo, as imagens dos personagens refletidas num lago, evidentemente que de cabe\u00e7a para baixo; os espectadores, n\u00e3o acostumados a tais liberdades, come\u00e7aram a vai\u00e1-la, s\u00f3 se apercebendo da gafe quando a c\u00e2mera lentamente come\u00e7ou a levantar-se mostrando os int\u00e9rpretes.<br \/>\nGuilherme Rogato estabelecendo-se em Macei\u00f3, capita do estado de Alagoas funda a Rogato Filme e filma <em>O Carnaval de 1921<\/em> e depois <em>A Inaugura\u00e7\u00e3o da Ponte de Cimento em<\/em> <em>Vit\u00f3ria, Quebr\u00e2ngulo<\/em>. Entre 1925\/26 realiza <em>Terra de Alagoas<\/em>, document\u00e1rio exibido em 1927. Junto com Edison Chagas, de Pernambuco, funda a Alagoas Filme e realiza em 1931 <em>Um Bravo do Nordeste<\/em>, primeiro longa-metragem alagoano.<br \/>\nGilberto Rossi, natural de Livorno foi um dos mais atuantes t\u00e9cnicos do Cinema feito em S\u00e3o Paulo. Realizou in\u00fameras fitas naturais patrocinadas mas produziu os seguintes filmes posados: <em>Quando Deus Castiga<\/em>, 1919; <em>Exemplo Regenerador<\/em>, 1920; <em>A<\/em> <em>Culpa dos Outros<\/em>, 1920; <em>Prel\u00fadio que Regenera<\/em>, 1921; <em>Do Rio a S\u00e3o Paulo Para Casar,<\/em> 1921; <em>Carlitinhos,<\/em> 1921; <em>O Segredo do Corcunda,<\/em> 1924; <em>Gigi<\/em>, 1925; <em>Fragmentos da Vida<\/em>, 1929; <em>A Escrava Isaura,<\/em> 1929; <em>Palha\u00e7o Atormentado<\/em>, 1946 e <em>Os Mist\u00e9rios do Campo Santo<\/em>, 1952. Depois desse \u00faltimo dedica-se \u00e0 linha de cinejornais da sua empresa, a Rossi Filmes.<br \/>\nEugenio Centenaro adotou o nome art\u00edstico de E.C. Kerrigan e tornou-se uma figura mitol\u00f3gica do Cinema Brasileiro. Dizendo-se diretor norte-americano, egresso dos est\u00fadios da Paramount, apresentava-se como um senhor de apar\u00eancia distinta, de botas e culote, fumando cachimbo e falando pelos cotovelos. Fazia-se chamar conde Eugenio Maria Piglinioni Rossiglione de Farnet, o que explicava o seu sotaque italiano. Vamos encontr\u00e1-lo onde se filmasse: Em Campinas, S\u00e3o Paulo, dirigindo <em>Sofrer Para Gozar<\/em>, 1924, e <em>A Carne,<\/em> 1925. Na Capital paulista, ainda em 1925, dirigindo <em>Quando Elas Querem<\/em>. Em Guaran\u00e9sia, Minas Gerais, 1926, \u00e0 frente de <em>Cora\u00e7\u00f5es em Supl\u00edcio<\/em>. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, <em>Amor Que Redime,<\/em> 1928 e <em>Revela\u00e7\u00e3o<\/em>, 1929.<\/p>\n<p align=\"center\">BENEDETTI FILME<\/p>\n<p align=\"justify\">Instalada no n\u00ba. 153 da Rua Tavares Bastos, uma rua que com seus ziguezagues ascendentes mais parece tra\u00e7ada pelos cen\u00f3grafos do filme <em>O Gabinete do Dr. Caligari,<\/em> no Catete, misto de resid\u00eancia e laborat\u00f3rio. Nela trabalhavam al\u00e9m do dono, sua mulher, Antonieta, Rosina Cianello, prima, Yolanda e Milde Micheline e C, Leonello, que era eletricista. Todos de sua equipe sabiam descarregar um chassis no escuro, enrolar negativo nos teares e lev\u00e1-los \u00e0s cubas de revela\u00e7\u00e3o o tempo necess\u00e1rio, fazer uma marca\u00e7\u00e3o de luz ou carregar um copiador. Benedetti a\u00ed viver\u00e1 o resto de seus dias. Inicialmente dedica-se \u00e0 confec\u00e7\u00e3o de letreiros em portugu\u00eas para os filmes estrangeiros que os exibidores compravam e faz trabalhos de laborat\u00f3rio para outros realizadores como Francisco de Almeida Fleming (1900-1999), de Minas Gerais, a quem Benedetti assessora no processo America-Cine-Fonema revelando e copiando os curtas desse pioneiro.<\/p>\n<p align=\"center\">GRANDE PR\u00caMIO PELO FILME MUSICAL<\/p>\n<p align=\"justify\">Entre 1922\/23 realizou-se no Rio a Exposi\u00e7\u00e3o Comemorativa do Centen\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil. Segundo o art. 43 do Regulamento do certame os expositores julgados pelo uri dignos de uma alta considera\u00e7\u00e3o pela import\u00e2ncia e valor absoluto de seus produtos seriam premiados com distin\u00e7\u00f5es variadas, a mais alta delas o Grande Pr\u00eamio. Pois bem, o J\u00fari para a classe 8 (cinema e fotografia) composto entre outros por dois veteranos da cinematografia nacional: Alberto Botelho (1883-1973) e Ant\u00f4nio Leal (1876-1946), o realizador de <em>Os<\/em> <em>Estranguladores<\/em>, 1908, um dos primeiros filmes de fic\u00e7\u00e3o brasileiro, outorgou a Benedetti o Grande Pr\u00eamio pelo invento do \u201cfilme cinematogr\u00e1fico musical\u201d, que lhe foi entregue no dia 22 de outubro de 1923. Benedetti requereu e obteve uma nova patente e funda a Benedetti Filme.<br \/>\nEm S\u00e3o Paulo Arturo Carrari instala a Escola de Artes Cinematogr\u00e1ficas Azzurri que como outras aparecidas na d\u00e9cada de 20 ficaram muito mal afamadas, devido a constantes denuncias de que estria desencaminhando moas. Era atividades t\u00edpicas de cavadores mais dispostos a obter dos alunos os recursos e equipe para a aventura da realiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs \u201cescolas\u201d de cinema eram duramente atacadas pela imprensa que as apontava como antros de \u201ccava\u00e7\u00e3o\u201d, como se dizia, os mo\u00e7os e mo\u00e7as que nelas se inscreviam seriam incautos que se deixavam enganar pela l\u00e1bia dos falsos professores. Em S\u00e3o Paulo a mais not\u00f3ria dessas escolas era a Azzurri que com um elenco integrado pelo corpo discente realizou em 1922\u00a0 <em>Amor de Filha<\/em>. <em>O Misterioso Roubo dos 500 Contos do Banco Italiano<\/em> <em>de Descontos<\/em>, tamb\u00e9m de 1922, volta a mostrar como a Escola de Artes Cinematogr\u00e1ficas Azzurri estava ativa. O filme contava a hist\u00f3ria rocambolesca de um famoso assalto, havendo sido, por algum tempo, proibido pela pol\u00edcia.<br \/>\nDois ex-alunos da Azurri, Aquiles Tartari e Francisco Madrigano fundam suas pr\u00f3prias escolas. A do primeiro, Escola Anhang\u00e1 realiza <em>Piloto 13<\/em>, 1929 e <em>Amor e<\/em> <em>Patriotismo<\/em>, 1930. A do segundo, Escola Internacional, de onde surgem quatro produ\u00e7\u00f5es: <em>Filmando Fitas<\/em>, 1926; <em>Orgulho e Mocidade,<\/em> 1928; <em>Os Milagres de N. Sra. da Aparecida,<\/em> 1927 e <em>Enquanto S\u00e3o Paulo Dorme<\/em>, 1929, os tr\u00eas \u00faltimos dirigidos por Madrigano.<br \/>\nEm 1924 Alberto Traversa dirige <em>O Segredo do Corcunda<\/em>, drama ambientado numa fazenda, mais uma vez apresentava o cl\u00e1ssico tri\u00e2ngulo amoroso, n\u00e3o sendo esquecido tudo que pudesse agradar aos apreciadores do g\u00eanero policial com uma trama folhetinesca.<br \/>\nNesse mesmo ano em seu est\u00fadio-laborat\u00f3rio feito numa adapta\u00e7\u00e3o em antigo sobrado\u00a0 Paulo Benedetti instala sua produtora, a Benedetti Filmes cuja produ\u00e7\u00e3o inicial <em>A Gigolette<\/em>, \u00e9 a evoca\u00e7\u00e3o de um carnaval com enredo come\u00e7ando numa ter\u00e7a-feira gorda, dirigido por Vittorio Verga e utilizando a sua <em>Cinemetrophonia<\/em>.<br \/>\nEm Minas Gerais Igino Bonfioli, estabelecido com ateli\u00ea fotogr\u00e1fico em Belo Horizonte come\u00e7ou em 1920 a realizar filmes publicit\u00e1rios e tamb\u00e9m os principais acontecimentos sociais e pol\u00edticos ocorridos na capital mineira.\u00a0 Em 1923 produz e dirige e fotografa <em>A<\/em> <em>Can\u00e7\u00e3o\u00a0 da Primavera <\/em>e em 1929 faz a fotografia de <em>A Tormenta<\/em>.<br \/>\nEnquanto isso no Rio Grande do Sul, em 1923 Carlos Comelli realiza <em>No Pampa Sangrento<\/em> ou <em>Pampa Ensang\u00fcentado<\/em>, longa-metragem mostrando a vis\u00e3o oficial da Revolu\u00e7\u00e3o que eclodira, entre fa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas entre republicanos e federalistas, maragatos e chimangos, filmando as legi\u00f5es ga\u00fachas e cavalo, prontas para a luta, armadas de lan\u00e7as, e uma cena antol\u00f3gica; o primeiro plano de esporas e botas, movimento lento ara cima mostrando bombachas, an\u00e1lise completa da indument\u00e1ria do homem do campo do extremo-sul, at\u00e9 chegar a quem o vestia, o lend\u00e1rio Hon\u00f3rio de Lemos. No ano seguinte Comelli realiza <em>O<\/em> <em>Desembarque das Tropas Baianas<\/em> e tamb\u00e9m Centen\u00e1rio da Coloniza\u00e7\u00e3o Alem\u00e3. Nesse mesmo anos, 1924, Italo Manjeroni realiza <em>Obras do Cais do Porto.<\/em><br \/>\nData de 1925 <em>Gr\u00eamio Porto-alegrense e S.C. Pelotas<\/em>, realiza\u00e7\u00e3o de Ludovico Rossi e Ant\u00f4nio Bagani, que em 1926 lan\u00e7am <em>Caravana Paulista<\/em>.<br \/>\nPedro Comello estabelecido com um ateli\u00ea fotogr\u00e1fico em Cataguases, Estado de Minas Gerais, quando Humberto Mauro esta filmando <em>Valadi\u00e3o, o Cratera<\/em>, em 9,5 mil\u00edmetros, com uma c\u00e2mara Path\u00e9 Baby, para amadores, revela que possu\u00eda uma c\u00e2mara de 35 mil\u00edmetros, profissional. E \u00e9 quando come\u00e7am, nessa bitola, os trabalhos de <em>Os Tr\u00eas<\/em> <em>Irm\u00e3os<\/em>, filme n\u00e3o terminado para dar lugar \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da Phebo Sul-America.<br \/>\nComello iria ser o respons\u00e1vel pela fotografia de <em>Os Tr\u00eas Irm\u00e3os<\/em>, e com as duas primeiras produ\u00e7\u00f5es da nova empresa, que foram <em>Na Primavera da Vida<\/em>, 1925 e <em>O<\/em> <em>Tesouro Perdido<\/em>, 1926.<br \/>\nO inicio da forma\u00e7\u00e3o nos arcanos da s\u00e9tima arte de Humberto Mauro, o pai do Cinema Novo brasileiro est\u00e1 assim fortemente marcado pela influ\u00eancia de Pedro Comello que n\u00e3o concordando com os argumentos selecionados por Mauro para a filmagem , ele funda a Atlas Filme e realiza <em>Senhorita Agora Mesmo<\/em> interpretado por sua filha Eva Nil. Apesar da excelente qualidade da fotografia de Pedro Comello o filme era um trabalho honesto e curioso pelos aspectos mostrados de uma cidade interiorana, nem assim <em>Senhorita Agora Mesmo,<\/em> 1926, apresentava a qualidade dos filmes de Humberto Mauro.<br \/>\nPossuindo a melhor aparelhagem do Rio e com conhecimento adquirido dos problemas de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e exibi\u00e7\u00e3o, que obteve com suas experi\u00eancias anteriores, Benedetti decide produzir filmes longos de fic\u00e7\u00e3o. Chama seu compatriota Vittorio Verga para dirigir <em>A Gigolette<\/em> e <em>O Dever de Amar<\/em>, ambos lan\u00e7ados em 1924. O primeiro \u00e9 um sucesso de p\u00fablico com suas dan\u00e7as sincronizadas, que provocaram alvoro\u00e7o nas plat\u00e9ias. O segundo, lan\u00e7ado no dia 29 de dezembro de 1924, foi sabotado pela distribuidora Empresa Matarazzo. Al\u00e9m disso, Pedro Lima e Ademar Gonzaga se indisp\u00f5em contra o diretor e Verga \u00e9 obrigado a se afastar.<br \/>\nBenedetti ent\u00e3o traz duas celebridades italianas: Carlo Campogalliani que se notabilizara em dezenas de filmes como diretor e ator (sua interpreta\u00e7\u00e3o de Napole\u00e3o em <em>Epop\u00e9ia Napole\u00f4nica<\/em>, 1914, \u00e9 considerada uma das melhores, sen\u00e3o a melhor do cinema mudo). Sua esposa Letizia Quaranta , que encarnou o personagem <em>Cabiria<\/em>, 1914 no c\u00e9lebre filme de Pastrone. Associando-se com o produtor italiano Federico Valle, radicado em Buenos Aires, Benedetti promove a primeira co-produ\u00e7\u00e3o internacional do cinema sul-americano. <em>A Esposa do Solteiro<\/em> ou <em>A Mulher da Meia Noite<\/em>, com loca\u00e7\u00f5es no Rio de Janeiro e em Buenos Aires. Utilizando a Cinemetrofonia Benedetti sincronizou um tango chamado <em>Buenos Aires<\/em>. O filme foi exibido na Argentina com o t\u00edtulo de <em>La Esposa del Soltero<\/em> e na It\u00e1lia como <em>Madame Ren\u00e9e,<\/em> <em>La Moglie dello Scapolo<\/em>.<\/p>\n<p align=\"center\">CIRCUITO NACIONAL DOS EXIBIDORES<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1926 Benedetti junto com Al Szekler, Mario Novis, Andr\u00e9 Guimard, Vittorio Verga, companhia Brasil Cinematografia (leia-se Francisco Serrador), Frota Cia., Augusto Pugualioni, Justino Rebelo Amaral, Lu\u00eds Severiano Ribeiro, Rold\u00e3o Barbosa, Ant\u00f4nio Tibiri\u00e7\u00e1, Jos\u00e9 del Picchia, Gustav Zieglitz e F. Matarazzo, constitui o C.N.E. (Circuito Nacional de Exibidores). Sociedade cooperativa para explora\u00e7\u00e3o e confec\u00e7\u00e3o de filmes brasileiros. A nova sociedade, com tantos interesses envolvidos realiza um concurso de beleza feminina entre as freq\u00fcentadoras dos cinemas dos associados, visando escolher uma <em>estrela<\/em> para uma produ\u00e7\u00e3o, e acaba realizando um filme de reportagem, que a imprensa da \u00e9poca tascou como cava\u00e7\u00e3o. Benedetti que presidia a C.N.E. se afasta e Verga consegue o financiamento para o filme que dirige intitulado <em>Sinfonia da Floresta<\/em> que Pedro Lima e Ademar Gonzaga recebem com esc\u00e1rnio. Ainda em 1929 o Circuito realiza uns curtas sonoros, como <em>Romanza<\/em>, com Vicente Celestino mas logo desaparece.<br \/>\nEm 1927 o \u00edtalo-brasileiro Ludovico Persici, residente na cidade de Concei\u00e7\u00e3o do Castelo, no Estado do Esp\u00edrito Santo, desenhou, patenteou e construiu uma m\u00e1quina capaz de filmar, copiar e projetar filmes, com a qual realizou algumas pel\u00edculas.<\/p>\n<p align=\"center\">PROCESSO DE CORES NATURAIS<\/p>\n<p align=\"justify\">Incans\u00e1vel em sua sede de inven\u00e7\u00e3o Benedetti desenvolveu um procedimento de cinema colorido que a imprensa da \u00e9poca chamou de <em>processo de cores naturais<\/em>.<br \/>\nO processo que Benedetti apresentou em 1927 era aditivo. Quando os enviados da Fox Filme chegaram ao Rio para escolherem um casal de brasileiros para atuarem em Hollywood, foram, naturalmente, ter ao est\u00fadio da Benedetti Filme, ent\u00e3o o melhor que havia. L\u00e1, Jos\u00e9 Matienzo e Paul Ivano (1899-1982), o cinegrafista preferido de Rodolfo Valentino, puderam assistir aos testes coloridos realizados por Paulo Benedetti e interpretados por Lia Tor\u00e1 e Ol\u00edmpio Guilherme, o casal escolhido.<br \/>\nEspalhada a not\u00edcia Benedetti recebeu propostas de compra do invento, inclusive de uns ingleses que ofereceram dez mil libras. Contudo, o inventor se recusou a vend\u00ea-lo. Silva Nobre no seu livro <em>\u00c0 Margem do Cinema Brasileiro<\/em> escreve: \u201cPara aqueles que recordam, o processo utilizado por Benedetti superava e muito, pela nitidez, claridade e perfeccionismo, as mostras estrangeiras que mais sucesso fizeram nas telas brasileiras\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\">QUALIDADE T\u00c9CNICA DO LABORAT\u00d3RIO<\/p>\n<p align=\"justify\">Investindo em equipamentos o laborat\u00f3rio de Benedetti no final dos anos 20 era o melhor do pa\u00eds. Nele foram revelados, copiados, e, \u00e9 claro, legendados, os filmes de Humberto Mauro: <em>Tesouro Perdido<\/em>, 1927: <em>Brasa Dormida<\/em>, 1928 e <em>Sangue Mineiro<\/em>, 1929. Tamb\u00e9m Carmen Santos utilizava seus servi\u00e7os. Foi Benedetti quem introduziu a t\u00e9cnica de revela\u00e7\u00e3o de filmes pancrom\u00e1ticos, substituindo a pel\u00edcula ortocrom\u00e1tica, fazendo inclusive o perfeito trabalho de laborat\u00f3rio (fus\u00f5es) de <em>Limite<\/em>, de Mario Peixoto, primeiro filme brasileiro inteiramente fotografado com pel\u00edcula pancrom\u00e1tica.<\/p>\n<p align=\"center\">BARRO HUMANO<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1929 o canto de cisne da Benedetti Filme foi <em>Barro Humano<\/em>, sucesso de cr\u00edtica e de bilheteria. Benedetti emprestou sua compet\u00eancia ao grupo de jovens da revista <em>Cinearte<\/em> para a realiza\u00e7\u00e3o de <em>Barro Humano<\/em>, um dos melhores filmes do cinema mudo brasileiro. O filme teve uma produ\u00e7\u00e3o muito demorada. Come\u00e7ou a ser rodado em 20 de novembro de 1927 e foi lan\u00e7ado em 16 de junho de 1929, com sucesso de p\u00fablico e de cr\u00edtica. Os letreiros foram escritos por \u00c1lvaro Moreyra (1888-1964) e desenhados por J. Carlos (1884-1950).<br \/>\nO filme foi exportado para a Argentina onde recebeu o t\u00edtulo de <em>Los Venenos<\/em> <em>Sexuales<\/em> e tamb\u00e9m Portugal. Uma das int\u00e9rpretes de <em>Barro Humano<\/em> \u00e9 Gracia Morena, nome art\u00edstico de Grazia Strobi Rangel nascida em G\u00eanova, filha de um paraense e uma espanhola.<\/p>\n<p align=\"center\">CURTAS MUSICAIS SINCRONIZADOS E FALADOS<\/p>\n<p align=\"justify\">Dez dias ap\u00f3s a estr\u00e9ia de <em>Barro Humano<\/em> foi lan\u00e7ado no Rio de Janeiro <em>Broadway Melody<\/em>, considerada essa data o lan\u00e7amento do cinema falado no Brasil. Foi uma verdadeira tsunami no mercado exibidor. Todos queriam os filmes sincronizados.<br \/>\nDessa produ\u00e7\u00e3o existem registros da exibi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo dos filmes <em>Anedota<\/em>, <em>Bole Bole<\/em>, <em>Galo Garniz\u00e9<\/em>, <em>Vamos Falar do Norte<\/em>, todos com o Bando de Tangar\u00e1s, formado por Almirante, Alvinho, Henrique Brito e Noel Rosa. <em>Caf\u00e9 com Leite<\/em>, com Pinto Filho e Calazans; <em>Deliciosa<\/em>, com Glauco Viana; <em>Estoy Borracho<\/em>, e <em>Mary<\/em>, com Francisco Pezzi; <em>Guerra ao Mosquito<\/em>, com Pinto Filho;<em> Jura<\/em> e <em>Yay\u00e1,<\/em> com Araci Cortes.<\/p>\n<p align=\"center\">HOMEM ORQUESTRA<\/p>\n<p align=\"justify\">Em uma entrevista \u00e0 revista <em>Cinearte<\/em>, 1929, Benedetti afirma que estudou em Lucca, cidade com forte tradi\u00e7\u00e3o musical desde o s\u00e9culo IX e entre os seus m\u00fasicos mais famosos do s\u00e9culo XIX est\u00e3o A. Catalani (1854-1893) e G. Puccini (1858-1924). N\u00e3o \u00e9 de estranhar, portanto, o conhecimento e o bom gosto musical de Benedetti. Sua esmerada educa\u00e7\u00e3o musical mais seus conhecimentos de relojoeiro o habilitaram a sincronizar m\u00fasica e imagem em movimento. No Rio ele se relacionou com o ent\u00e3o muito famoso maestro Luigi Maria Smido, que morreu em 1943, Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Vila Lobos (1887-1959). Sua preocupa\u00e7\u00e3o com a boa m\u00fasica revela-se nas trilhas sonoras que produziu para seus filmes, desde a \u00e1ria do <em>Barbeiro de Sevilha<\/em>, em 1912, passando pela opereta <em>Uma Transformista Original<\/em>, 1915, a modinha <em>Hei de Amar-te At\u00e9 Morrer<\/em> em <em>O Garimpeiro<\/em>, 1920, o tango dos apaches, isto \u00e9, ladr\u00f5es, de <em>A Gigolette<\/em>, os arranjos do maestro Ga\u00f3 para <em>Barro Humano<\/em> e finalmente a s\u00e9rie de curtas com artistas do naipe de Araci Cortes (1904-1985), Almirante (1908-1980) e Noel Rosa (1910-1937).<br \/>\nO estudioso italiano Mario Verdone no seu ensaio <em>Il Mondo Sonoro del Film Muto<\/em>, publicado no volume Colonna Sonora, organizado por Glauco Pellegrini e M. Verdone (Roma, Bianco e Nero, 1967) escreve que Benedetti \u201cEra un vero uomo orchestra. Fu il primo in Brasile a preoccuparsi alla musica adattata alla scene del film\u201d.<br \/>\nAlberto Cavalcanti (1897-1982), o brasileiro que se projetou internacionalmente em v\u00e1rios pa\u00edses, como a Inglaterra, a Fran\u00e7a e a Alemanha escreve no seu livro <em>Filme e Realidade<\/em> que \u201cSe as id\u00e9ias de Benedetti, t\u00e3o adiantadas para a \u00e9poca, tivessem sido melhor aproveitadas, o cinema no Brasil teria progredido muito mais rapidamente\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\">LETREIROS SOBRE AS CENAS<\/p>\n<p align=\"justify\">Benedetti ganhava seu sustento fazendo letreiros para os filmes mudos. No filme mudo os letreiros eram cortados e substitu\u00eddos por uma tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas. Essa tradu\u00e7\u00e3o era impressa tipograficamente (raramente caligrafada, que era um pouco mais caro, como no caso de <em>Barro Humano<\/em>) e os cart\u00f5es eram filmados para substitu\u00edrem os originais. Era tarefa simples. Com o cinema falado surgiu o problema da l\u00edngua. Os primeiros filmes falados \u2013 como <em>Broadway Melody<\/em>, eram falados em ingl\u00eas. Enquanto era uma novidade isso n\u00e3o assustava muito a plat\u00e9ia, que n\u00e3o compreendia a l\u00edngua, ia ver e ouvir a novidade dos <em>talkies<\/em>. Mas isso n\u00e3o durou muito e ent\u00e3o tentaram dublar os filmes, o que encarecia o produto. Benedetti que j\u00e1 sabia sincronizar a partitura com a imagem e conhecia o processo de gravar em chapa met\u00e1lica, . \u201cprocesso de incis\u00e3o destinada a produzir decora\u00e7\u00f5es em relevo sobre superf\u00edcie met\u00e1lica\u201d, 1907, fundamental para a confec\u00e7\u00e3o das legendas que s\u00e3o feitas assim at\u00e9 hoje, apresentou para seus clientes, as companhias americanas, a solu\u00e7\u00e3o miraculosa<br \/>\nEm 1932 Vitorio Capellaro, j\u00e1 com 55 anos, apaixonado pela literatura brasileira, imaginou uma hist\u00f3ria e encomendou o argumento; queria enfocar a epop\u00e9ia das bandeiras e realizou <em>O Ca\u00e7ador de Diamantes<\/em>. Pela primeira vez o eu est\u00fadio \u00e9 usado para a montagem de interiores, valorizad\u00edssimo gra\u00e7as ao material de ilumina\u00e7\u00e3o adquirido pelo cineasta-produtor. Visto hoje (o filme foi preservado) comprova\u00a0 sua qualidade t\u00e9cnico-art\u00edstica.<br \/>\nPor ocasi\u00e3o do 25 de julho de 1932, no epis\u00f3dio da Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista, um cinegrafista italiano de sobrenome Pellai, amigo de Capellaro, foi atingido por uma bala de fuzil e teve um dos bra\u00e7os amputados.<br \/>\nEm 1935 Capellaro faz uma s\u00e1tira intitulada <em>Fazendo Fita<\/em>, na qual pretendia retratar o Cinema Brasileiro. Os letreiros de apresenta\u00e7\u00e3o diziam ser a produtora a S. O. S.; a dire\u00e7\u00e3o de um maluco, a fotografia de um Cego, o som de um Surdo e o argumento de um Analfabeto. O argumento contava as perip\u00e9cias por que passava para realizar um filme, coma as condi\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, e, no final, como solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas, os t\u00e9cnicos do filme dentro do filme resolvem voluntariamente se apresentar para ficarem internados no Manic\u00f4mio do Juqueri.<\/p>\n<p align=\"center\">OS CONTINUADORES<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No dia 4 de novembro de 1949 Franco Zampari e Cicillo Matarazzo fundam a Cia. Cinematogr\u00e1fica Vera Cruz. Em 1953 \u00e9 o maior est\u00fadio cinematogr\u00e1fico brasileiro. Do palco do Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia, o TBC, os italianos lan\u00e7am as ra\u00edzes do nosso cinema profissional. O sucesso da Vera Cruz, o exemplo dos mecenas italianos contagiou outros empres\u00e1rios. E apareceu a Maristela, capitaneada pelos Audr\u00e1. Seu inventor foi o italiano Mario Civelli, que se fazia passar por assistente de Rossellini em <em>Roma Cidade Aberta<\/em>. Mesmo depois do fracasso desta produtora Civelli ainda conseguiu empolgar outros capitalistas para a empreitada da Multifilmes.<br \/>\nNos anos quarenta repete-se a presen\u00e7a de italianos realizando filmes com o aproveitamento da nossa literatura podendo ser citados <em>Iracema<\/em>, com dire\u00e7\u00e3o de Vittorio Cardinalli; <em>Caminhos<\/em> <em>do Sul,<\/em> 1949, livro de Ivan Pedro Martins, produ\u00e7\u00e3o de Andrea di Robillant; <em>Presen\u00e7a de Anita<\/em>, 1951, livro de M\u00e1rio Donato, dire\u00e7\u00e3o de Ruggero Jacobbi; <em>O Comprador de<\/em> <em>Fazendas,<\/em> 1951, livro de Monteiro Lobato, dire\u00e7\u00e3o de Alberto Pieralisi; <em>Floradas na Serra<\/em>, 1954, livro de Dinah Silveira de Queir\u00f3s, dire\u00e7\u00e3o de Luciano Salce; e <em>Seara Vermelha,<\/em> 1963, livro de Jorge Amado, dire\u00e7\u00e3o de Alberto D\u2019Aversa.<br \/>\nPor esse tempo, est\u00e3o entre n\u00f3s tamb\u00e9m alguns bons diretores-de-fotografia, como Ugo Lombardi, Alberto Attili, Amleto Daiss\u00e9 e, destacando-se, Aldo Tonti, com extensa e importante filmografia. Diretores tamb\u00e9m com experi\u00eancia no cinema peninsular trouxeram a sua contribui\u00e7\u00e3o, como Ricardo Fredda que na Atl\u00e2ntida dirigiu <em>O Ca\u00e7ula do Barulho<\/em>, 1949 e Camillo Mastrocinque que veio contratado para um empresa de vida ef\u00eamera, a INCA (Ind\u00fastria Nacional de Cinema Art\u00edstico) realizando <em>Are\u00e3o<\/em>, apresentado na It\u00e1lia como <em>La Prigione<\/em><em> di Sabbia<\/em>.<br \/>\nSem d\u00favida, tato os <em>cameramen<\/em> e iluminadores quanto dos diretores e produtores contribu\u00edram para o aperfei\u00e7oamento de profissionais brasileiros, j\u00e1 que Vera Cruz e Multifilmes eram centros nos quais estavam, lado a lado, os ingleses da Ealing e os italianos de Cinecitt\u00e1. T\u00ednhamos, de certa forma, uma tradi\u00e7\u00e3o de trabalho em cinema, mas tudo muito familiar. A conviv\u00eancia com t\u00e9cnicos de outros pa\u00edses de cinematografia mais adiantada foi decisiva para a melhoria do padr\u00e3o dos nosso filmes, constituindo-se nua verdadeira revolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDevemos lembrar ainda o nome de Mario Civelli e de outros nascidos aqui ou na It\u00e1lia, os Stamato, os Latini, Tambellini, Scollamieri, Gianelli, Massaini, Pongetti, Tartaglioni, Campiglia, Carrari, at\u00e9 chegarmos aos Zampari, Carlo e Franco, construtores dos magn\u00edficos est\u00fadios da Vera Cruz em S\u00e3o Bernardo do Campo.<\/p>\n<p align=\"justify\">O \u00edtalo-brasileiro Rogerio Sganzerla dirige <em>O Bandido da Luz Vermelha,<\/em> 1968, ponto de transi\u00e7\u00e3o entre a est\u00e9tica cinemanovista e a ruptura marginal. Ainda dentro da produ\u00e7\u00e3o da Boca do Lixo paulista dirige seu segundo longa, <em>A Mulher de Todos<\/em>, 1969, ambos caracterizados por um di\u00e1logo ir\u00f4nico e avacalhado com o cinema de g\u00eanero e a narrativa cl\u00e1ssica.<br \/>\nAparece o cineasta Andrea Tonacci com o filme intitulado <em>Bang Bang,<\/em> 1970. Uma obra prima articulada em torno de seq\u00fc\u00eancias que se repetem, soprep\u00f5em-se livremente, embora sejam fortemente caracterizadas em unidade pelo estilo que aparece na fotografia marcada, na trilha sonora, nos cen\u00e1rios e nos di\u00e1logos e na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSganzerla realiza o curta metragem Linguagem de Orson Welles, 1985 e\u00a0 <em>Nem Tudo<\/em> <em>\u00e9 Verdade<\/em>, 1987, longa ficcional sobre o cineasta americano em terras brasileiras. Desenvolve-se aqui o tema do fazer cinema no Brasil, agora como tarefa hollywoodiana \u00e0s avessas. Em 1998 lan\u00e7a <em>Tudo \u00e9 Brasil,<\/em> document\u00e1rio de longa-metragem, com imagens de Carmen Miranda e Grande Otelo, entre outros, sobre os bastidores do malogrado <em>It\u2019s All<\/em> <em>True<\/em>, rodado no Brasil nos anos 40 pelo criador do Cidad\u00e3o Kane.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Bibliografia<\/p>\n<div align=\"justify\">CAPELLARO, Jorge J. V. e FERREIRA, Paulo Roberto. \/Verdades Sobre o<\/p>\n<ul>\n<li>In\u00edcio do\/ <em>\/<\/em><em>Cinema no Brasil\/<\/em>. Rio de Janeiro: Funarte, 1996.<\/li>\n<li>GALDINO, M\u00e1rcio da Rocha. <em>\/<\/em><em>Minas Gerais, Ensaio de Filmografia\/<\/em>. Belo<\/li>\n<li>Horizonte: Secr. Municipal de Cultura, 1984.<\/li>\n<li>GONZAGA, Ademar. <em>\/<\/em><em>A Hist\u00f3ria do Cinema Brasileiro\/<\/em>. I A verdade<\/li>\n<li>surpreendente veio com o pr\u00f3prio diabo, <em>\/<\/em><em>Jornal do Cinema\/<\/em>, n.\u00ba 39,<\/li>\n<li>agosto 1956, p. 51\/54. II, Onde o cinema se firma como a divers\u00e3o dos<\/li>\n<li>brasileiros. Idem, n.\u00ba 40, maio 1957, p. 47\/51.<\/li>\n<li>GERVEREAU, Laurent. <em>\/<\/em><em>Da Foto ao Filme\/<\/em> in <em>\/<\/em><em>O Brasil de Marc Ferrez\/<\/em>.<\/li>\n<li>S\u00e3o Paulo: Instituto Moreira Sales, 2005.<\/li>\n<li>NORONHA. Jurandyr. <em>\/<\/em><em>A Longa Luta do Cinema Brasileiro\/<\/em>. Os Pioneiros.<\/li>\n<li>Rio de Janeiro: Funarte, 2002.<\/li>\n<li>*______. *\/No Tempo da Manivela.\/ Rio de Janeiro: Ed. Brasil-Am\u00e9rica<\/li>\n<li>-Ebal, Kinart, Embrafilme, 1987.<\/li>\n<li>PFEIL, Ant\u00f4nio Jesus. <em>\/<\/em><em>Cinemat\u00f3grafo e o Cinema dos Pioneiros\/<\/em>, in<\/li>\n<li><em>\/<\/em><em>Cinema no Rio Grande\/<\/em> <em>\/<\/em><em>do Sul\/<\/em>. Porto Alegre: Unidade Editorial,<\/li>\n<li>1995. Caderno Ponto &amp; V\u00edrgula 8.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"justify\">Pode-se dizer que a interpenetra&ccedil;&atilde;o de nacionalidades &eacute; uma  caracter&iacute;stica marcante do cinema. Atores, produtores e diretores, construtores  de est&uacute;dios e criadores de circuitos de salas exibidoras, cen&oacute;grafos, iluminadores,  operadores, t&eacute;cnicos, enfim, de todas as especialidades, naturais de diversos  pa&iacute;ses foram os art&iacute;fices n&atilde;o s&oacute; do prest&iacute;gio do cinema norte-americano e  ingl&ecirc;s. Que seria de Hollywood sem os alem&atilde;es como Ernest Lubitsch e Curtis  Bernardt, austr&iacute;acos como Joseph Von Sternberg e Erich Von Stroheim, franceses  como Jean Renoir e Julien Duvivier; h&uacute;ngaros como William Fox e Adolph Zukor;  ingleses como Charles Chaplin e Alfred Hitchcock; italianos como Frank Capra, e  poloneses como Samuel Goldwin?<br \/>   E vamos observar o mesmo em outros cinemas. &Eacute; o caso do  h&uacute;ngaro Alexander Korda, na Inglaterra e do brasileiro Alberto Cavalcanti que  na Fran&ccedil;a foi uma personalidade decisiva na <em>avant  garde<\/em> e no movimento document&aacute;rio da GPO Film Unit, na Inglaterra.<br \/>   O cinema brasileiro n&atilde;o ficou isento de uma grande influ&ecirc;ncia  de alem&atilde;es, argentinos, arm&ecirc;nios, espanh&oacute;is, estonianos, franceses, ingleses,  h&uacute;ngaros, norte-americanos, poloneses, portugueses, russos,&nbsp; tchecos. Irmanados com os brasileiros nativos  eles ajudaram a escrever a Hist&oacute;ria&nbsp; do  Cinema Brasileiro. <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[794,795,793],"class_list":["post-1026","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-articoli","tag-cinema-brasilero","tag-filmes","tag-italianos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1026"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3417,"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026\/revisions\/3417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.asei.eu\/it\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}